Você já parou para pensar que muitas vezes não é a sua perna que falha na subida, mas a sua respiração? A ansiedade tem um poder enorme de bagunçar isso. Quando o ciclista olha lá pra cima e vê que a serra parece não ter fim, a mente dispara: “Será que aguento?”. O coração acelera, a respiração fica curta, superficial, e o que era só uma subida vira um ataque de ansiedade disfarçado de falta de ar.
Eu já passei por isso. Lembro de um treino em Domingos Martins, numa serra que parecia infinita. Minhas pernas estavam boas, mas eu me vi respirando como se estivesse em um sprint de 200 metros, mesmo estando a 12 km/h. Foi aí que caiu a ficha: eu não estava quebrando fisicamente, eu estava deixando a ansiedade comandar minha respiração. Quando ajustei para uma respiração mais profunda, ritmada, usando o diafragma, tudo mudou. O pedal ficou mais estável, o coração desacelerou, e consegui controlar a mente para focar no aqui e agora, em vez de me torturar com o topo que ainda estava distante
Isso aumenta a captação de oxigênio, reduz a tensão no corpo e, o mais importante, acalma o sistema nervoso. Quando o ciclista consegue controlar isso, a ansiedade deixa de ser inimiga e vira combustível.
Tenho vários casos na assessoria. Um aluno, por exemplo, sofria toda vez que a prova tinha subida longa. Ele dizia que a cabeça começava a entrar em pânico e, logo no início da serra, já sentia que ia quebrar. Trabalhamos juntos técnicas de respiração, e em três semanas ele conseguiu mudar completamente a experiência. Na última prova, não só subiu inteiro, mas bateu o tempo pessoal. A diferença não foi treino de perna, foi treino de respiração e mente.
Respirar é básico, mas no ciclismo básico não é sinônimo de simples. Controlar a respiração é controlar o corpo e a mente na hora em que mais precisa. Da próxima vez que encarar uma subida, em vez de olhar para o topo e acelerar o desespero, olhe para dentro, ajuste o ritmo e deixe que a respiração seja o seu guia. Vai perceber como algo tão simples pode transformar o seu pedal.
Sabe aquele treino que você termina se sentindo um leão, mas que pode virar um tiro no pé se…
Quando cheguei na Itália para encarar 14 dias de pedal pelas montanhas, meu maior objetivo…