Quando cheguei na Itália para encarar 14 dias de pedal pelas montanhas, meu maior objetivo não era provar nada para ninguém. Era estar fisicamente tão bem preparado que eu pudesse realmente aproveitar cada subida, cada café no vilarejo, cada curva do Stelvio sem estar destruído pelo esforço. Porque viver uma experiência assim não é só pedalar, é estar inteiro para curtir.
E olha, subir gigantes como o Gavia, o Mortirolo e o Stelvio não é pouca coisa. São montanhas que marcaram a história do ciclismo, lugares onde ídolos se tornaram lendas. Eu cresci vendo essas estradas na TV durante o Giro e sempre me perguntava como seria pedalar ali. Estar naquele cenário foi muito mais do que cumprir um desafio, foi sentir na pele a energia do ciclismo em seu estado mais puro. E só consegui aproveitar cada detalhe porque cheguei preparado. Foram 38 horas de pedal em 14 dias, acumulando 20 mil metros de ascensão. Parece insano, mas não foi sofrimento. O corpo respondeu porque vinha de meses de treino estruturado e bem pensado, o que me permitiu não apenas “aguentar”, mas curtir.
Esse ponto faz toda a diferença.
Montamos um planejamento focado em construir base sólida, trabalhar resistência em blocos longos, a força e ajustar nutrição para suportar dias seguidos de esforço. Resultado: ele não só completou o desafio, como terminou se sentindo mais forte no final do que no início. E o melhor, conseguiu aproveitar as paisagens, as paradas nas cidades históricas, os encontros pelo caminho.
A ciência explica bem por que isso funciona. Preparar-se para desafios de vários dias exige não só preparo cardiovascular, mas também adaptação muscular e metabólica. Estudos mostram que treinos consistentes e direcionados aumentam a densidade mitocondrial, melhoram a utilização de gordura como combustível e ampliam a capacidade de tolerar o estresse oxidativo. Em linguagem prática: seu corpo aprende a “queimar mais limpo” e a se recuperar melhor entre um dia e outro.
E tem o lado mental também. Quando você chega para um desafio já confiante de que o corpo vai aguentar, a mente relaxa. Você não passa o pedal inteiro preocupado se vai quebrar, mas aberto para curtir a estrada. Foi exatamente o que aconteceu comigo na Itália. Em vez de pedalar olhando só para o asfalto e rezando para acabar, pude levantar a cabeça, sentir o vento frio das montanhas, olhar para os vales glaciais e entender que aquele momento era único.
Por isso, sempre falo: se o seu sonho é pedalar na Itália, fazer o Caminho de Compostela ou qualquer outro desafio épico, não espere o desafio para se preparar. Se prepare para chegar lá pronto, forte, e principalmente com energia para se divertir. Porque pedalar cansado qualquer um pedala. Agora, pedalar curtindo, sorrindo e colecionando memórias… isso é privilégio de quem chega preparado.
Sabe aquele treino que você termina se sentindo um leão, mas que pode virar um tiro no pé se…
Se você é ciclista, provavelmente já se imaginou subindo o Stelvio, encarando o Mortirolo ou…